O início de um novo ano sempre nos convida à reflexão. Em Efésios 5.15-17, o apóstolo Paulo nos exorta a viver com sabedoria, remindo o tempo, pois os dias são maus. A Escritura não condena o planejamento; ao contrário, chama o povo de Deus a compreender a vontade do Senhor e a viver com propósito.

Todos dispomos das mesmas 24 horas diárias, mas nossas responsabilidades e contextos são distintos. Por isso, mais do que “gestão do tempo”, somos chamados a organizar a vida de acordo com nossos papéis, prioridades e vocação cristã. Pensando nisso, algumas boas decisões podem nos ajudar a viver melhor em 2026:

Primeiro, menos tela e mais presença. Vivemos numa cultura saturada de informações e distrações, o que tem produzido ansiedade, superficialidade e relações frágeis. O uso excessivo das telas frequentemente nos rouba tempo precioso que poderia ser dedicado à oração, à leitura bíblica, à comunhão e à família. Reduzir o tempo diante das telas é um ato de sabedoria e mordomia espiritual.

Segundo, menos consumo e mais organização financeira. O alto índice de endividamento revela que o problema não é apenas econômico, mas também do coração. Jesus nos ensinou a ajuntar tesouros no céu, e a Escritura afirma que a piedade com contentamento é grande fonte de lucro (1Tm 6.6). O dinheiro deve ser administrado com responsabilidade, simplicidade e generosidade, como expressão de fidelidade a Deus.

Terceiro, menos brigas e mais paz. Em uma sociedade marcada por polarização e confrontos, o cristão é chamado a ser pacificador. Romanos 12.17-18 nos lembra que devemos fazer todo o possível para viver em paz com todos.

Quarto, menos desorganização e mais entrega a Deus. Remir o tempo implica reconhecer que toda a vida pertence ao Senhor. Não existe verdadeira espiritualidade sem ordem, propósito e prioridades claras. Planejar não é falta de fé, mas expressão de sabedoria bíblica, pois a Escritura afirma que “os planos bem elaborados conduzem à fartura” (Pv 21.5). Organizar a agenda, entender os próprios papéis e reservar tempo para Deus não significa retirar-se da vida comum, mas consagrar as atividades ordinárias como atos de adoração ao Senhor.

Quinto, menos murmuração e mais gratidão. A murmuração revela uma leitura distorcida da realidade, como se Deus estivesse ausente ou equivocado. A gratidão cristã, ao contrário, reconhece a soberania e a bondade de Deus em todas as circunstâncias (1Ts 5.18). Como ensinou João Calvino: “confiar na providência divina é o maior antídoto contra a inquietação da alma”. Um coração grato não ignora a dor, mas descansa na fidelidade daquele que governa todas as coisas.

Essas decisões não são o caminho da salvação, mas o fruto de uma vida alcançada pela graça. Que entremos em 2026 confiando não em resoluções humanas, mas em Cristo, que faz novas todas as coisas

.Pr. Ismael Arêdes é casado com Eilan Rodrigues e pai de Estevão.
Bacharel em Teologia pela Faculdade Teológica Batista de São Paulo.
Pós-graduado em Filosofia, em Gestão de Negócios e Pessoas e em Terapia Cognitivo-Comportamental. É pastor na Igreja Batista Palmeiras desde de dezembro de 2018.

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