A forma como vivemos revela claramenta a pátria à qual pertencemos. O apóstolo Paulo afirma com clareza em Flipenses 3.20: “A nossa cidadania, porém, está nos céus, de onde esperamos ansiosamente o Salvador, o Senhor Jesus Cristo”. Essa declaração não é apenas uma promessa futura, mas uma convocação para o presente. Ela nos lembra que, embora estejamos inseridos na história, nossa identidade última não está limitada ao aqui e agora. O cristão vive com os pés no chão, mas com o coração orientado para outra pátria.

A ideia de cidadania celestial carrega a tensão clássica da escatologia do Novo Testamento: o “já” e o “ainda não”. Já pertencemos ao Reino de Deus, mas ainda aguardamos sua consumação plena. Os cristãos de Filipos compreendiam bem essa linguagem. Viviam numa colônia romana, orgulhosos de sua cidadania imperial, mas Paulo os lembra de que sua verdadeira pátria não era Roma, e sim o céu. Assim, mesmo vivendo em Filipos, eram chamados a viver segundo os valores e a mentalidade do Reino de Deus.

No Império Romano, o imperador era exaltado como “senhor” e “salvador”. Ao aplicar esses títulos a Jesus Cristo, Paulo faz uma afirmação profundamente contracultural: a autoridade suprema não pertence a César, mas ao Cristo ressurreto. Viver como cidadão do céu é submeter-se ao governo do verdadeiro Senhor do universo. Não é coincidência que esse tipo de proclamação tenha levado Paulo e Silas à prisão, pois ela confrontava diretamente os alicerces ideológicos do império.

Essa esperança não é alienação. O autor de Hebreus nos lembra que os heróis da fé reconheceram ser “estrangeiros e peregrinos na terra” (Hb 11:13). Eles viveram plenamente, mas sem confundir o provisório com o eterno. A Escritura também ensina que os cristãos devem respeitar e submeter-se às autoridades constituídas, reconhecendo que foram instituídas por Deus. Contudo, essa submissão nunca anula a lealdade maior ao Senhor do céu (At 5.29).

Ser cidadão do céu não significa viver de forma irresponsável ou distante da realidade. Pelo contrário, significa viver com esperança. Em um mundo marcado pelo desespero, o cristão aponta para uma realidade futura que já começou em Cristo. Vivemos hoje à luz daquilo que esperamos: a volta gloriosa do Salvador. Essa esperança molda nossa ética, fortalece nossa perseverança e dá sentido à nossa missão no mundo.

Viva como um cidadão do céu!

Pr. Ismael Arêdes é casado com Eilan Rodrigues e pai de Estevão.
Bacharel em Teologia pela Faculdade Teológica Batista de São Paulo.
Pós-graduado em Filosofia, em Gestão de Negócios e Pessoas e em Terapia Cognitivo-Comportamental. É pastor na Igreja Batista Palmeiras desde de dezembro de 2018.

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