Eu não aceito que o resultado das urnas tenha a última palavra sobre o nosso futuro. E sabe por quê? Porque o verdadeiro vencedor não estava concorrendo a nenhuma eleição!
Antes que alguém me interprete mal, não estou questionando a legitimidade do resultado eleitoral, tampouco defendendo que a vontade popular seja desrespeitada.
Estou afirmando algo infinitamente maior: CRISTO CONTINUA REINANDO!
Aos eleitores brasileiros que lamentam ou celebram os resultados das eleições, calibrem as suas expectativas. Uma eleição pode definir quem ocupará o poder político, mas jamais determinará quem governa soberanamente a história. O trono de Deus não está em disputa!
Sabemos que a democracia exige que respeitemos a vontade expressa nas urnas, mesmo quando ela contraria nossas preferências. John Stott nos lembra que a democracia reconhece tanto a dignidade humana, ao permitir nossa participação nas decisões, quanto nossa natureza caída, ao limitar a concentração do poder.
No entanto, acima da vontade popular, permanece a soberania de Deus. Como disse o salmista: “Pois o Senhor é rei! Ele governa as nações.” (Salmos 22.28, NVT)
Curiosamente, nesta semana em que celebramos a Reforma Protestante, somos lembrados de que a história da Igreja não é sustentada pelo poder dos homens, mas pela fidelidade de Deus.
Há mais de 500 anos, a Reforma reafirmou a centralidade das Escrituras, a supremacia de Cristo e a salvação pela graça. Seus desdobramentos contribuíram, em diferentes contextos da sociedade, para a valorização da liberdade de consciência, da educação, da responsabilidade diante das autoridades e do envolvimento cristão com a política, a economia, a arte e a cultura.
Nesse sentido, o pensador holandês Hans Rookmaaker nos lembra da responsabilidade dos cristãos na formação da cultura. Não basta lamentarmos os rumos da sociedade; precisamos participar ativamente da produção, valorização e preservação daquilo que é bom, belo e verdadeiro.
Embora a fé cristã não nos conduza à indiferença diante da sociedade, nossa esperança não está em quem ocupa o poder, mas em Cristo, aquele que possui toda a autoridade no céu e na terra!
Como nos lembra o apóstolo Paulo, “Se nossa esperança em Cristo vale apenas para esta vida, somos os mais dignos de pena em todo o mundo” (1 Coríntios 15.19, NVT). Nossa esperança ultrapassa os limites desta vida, pois está fundamentada na ressurreição de Cristo e na certeza de seu Reino eterno.
Por isso, continuaremos orando pelos governantes, defendendo a justiça, amando o próximo e anunciando o evangelho.
Aliás, esta é uma excelente oportunidade para demonstrarmos ao mundo que amamos ao Senhor acima de todas as coisas e que não depositamos nos políticos uma esperança que somente Cristo pode sustentar.
Independentemente dos resultados das urnas, o Brasil continua enfrentando profundas crises morais, sociais e espirituais que não serão resolvidas apenas pela permanência ou alternância de poder. Nossa nação precisa desesperadamente da misericórdia e da intervenção de Deus.
Meu desejo e minha oração são que nós, o povo de Deus, aproveitemos esta oportunidade para sermos instrumentos de transformação nas mãos de Deus, por meio da fidelidade a Cristo, do testemunho público do evangelho, da dependência e direção do Espírito Santo e do amor ao próximo.
Que Deus tenha misericórdia de nós e abençoe a nossa nação.
Paulo Alves

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