Vivi um episódio no ensino médio que nunca esqueci. O professor marcou uma prova, eu
estudei com dedicação e, no dia marcado, ao receber a avaliação, percebi que havia
estudado a matéria errada.
Não recordo exatamente o que causou o erro, distrações na vida, excesso de conteúdo,
talvez desatenção. O fato é que eu me preparei, mas para a coisa errada. Não foi preguiça.
Não foi um descaso. Eu fiz minha parte, só que na direção equivocada.
A frustração foi profunda. Era como perder uma guerra por ter lutado a batalha errada. Esse
sentimento me lembra o alerta do apóstolo Paulo aos Efésios:
“Vistam toda a armadura de Deus, para poderem ficar firmes contra as ciladas do diabo,
pois a nossa luta não é contra pessoas, mas contra os poderes e autoridades, contra os
dominadores deste mundo de trevas, contra as forças espirituais do mal nas regiões
celestiais.” Efésios 6:11,12
Perceba que o preparo está diretamente ligado à consciência da batalha. Paulo não apenas
manda vestir a armadura; ele explica o motivo. No Reino de Deus, a direção do coração
determina a ação.
Ao receber o evangelho, muitos entendem que existe uma batalha. Mas até nisso podemos
nos confundir, é muito fácil perder o foco e a direção. Paulo faz questão de lembrar que
nossa luta não é contra pessoas. É uma batalha espiritual.
E esse aviso não é por acaso. Ele surge depois de orientações práticas sobre
relacionamentos, trabalho e vida cotidiana. À primeira vista, parecem apenas conselhos
morais, mas o que Paulo está fazendo é tentar ampliar nossa visão para uma realidade que
só o evangelho traz: mesmo no meio de uma vida comum, com tarefas diárias e desafios
relacionais, existe uma realidade espiritual em curso.
Nunca esqueça qual é sua verdadeira luta
O perigo é trocar o foco. Podemos gastar energia, disciplina e esforço e ainda assim lutar a
batalha errada. Nossa principal luta não é passar no vestibular, ganhar mais dinheiro ou
conquistar reconhecimento. Nem mesmo competir ou tentar destruir outras pessoas, muitas
vezes trocamos o inimigo, porque ter um alvo visível parece dar mais sentido à guerra.
Mas isso é um erro, o que precisamos é ter uma consciência real da verdadeira batalha que
estamos inseridos.
Que não cometamos o mesmo erro que cometi na escola: dedicar-nos intensamente, mas
na direção equivocada. Antes de lutar, precisamos discernir qual é, de fato, a batalha e
realinhar nosso coração com o que Ele já nos chamou para viver.
André Filipe
Presidente da Jubam
Pastor Auxiliar
Igreja Batista Memorial em Governador Valadares

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