Este ano, com todos os seus acontecimentos (e quantos foram até aqui, hein?), passou tão rápido e exigiu tantas mudanças que parece ter acelerado ainda mais as coisas. A impressão é que, nessa correria toda, nem deu tempo de pensar no Natal. Final de ano é sempre assim: muitas tarefas, tanta coisa para resolver, trabalho para entregar, metas para bater etc., etc., etc. Mas, antes de continuar a leitura, pare por alguns segundos e respire fundo. É sério: dê aquela respirada profunda e devagar. Viu? Você acabou de descobrir que está vivo! Uau! Isso é importante — aliás, é essencial —, pois tem tudo a ver com esta breve reflexão.
Por experiência própria, posso afirmar que, nas celebrações de Natal dos meus parentes, algumas coisas sempre acontecem. Por exemplo: os tios e tias vão cobrar mais um ano da solteirice do sobrinho que passou mais um ano no zero a zero; aquele tiozão (talvez seja você) vai fazer a piada do pavê; alguém vai parar para assistir ao especial de Natal do Roberto Carlos; vai ter panetone com frutas e uva-passa no arroz. Apesar disso tudo, vai ser legal. E sabe por quê?! “Porque é nataaaal” (se não fez isso, volte e leia essa última frase cantando).
Sim, é Natal. É tempo de alegria, generosidade, comunhão, reflexão, celebração e muitas outras coisas boas. É tempo de rever ou até mesmo fazer novos amigos; tempo de curtir a família, descansar, comer etc.
Pode ser que você tenha a alegria de celebrar o verdadeiro motivo do Natal, mas, para muitos, o Natal não acontecerá. E isso não se resume a uma noite de celebração com familiares e amigos queridos. O que quero dizer é que muitos celebrarão qualquer coisa, menos o Natal. Primeiro, porque não sabem o significado do Natal; segundo, porque não têm tempo para isso. Nossos dias são marcados pela falta de tempo, e isso já se tornou culturalmente aceito. Além de parecer “importante” não ter tempo, o tempo é um bem muito valioso em nossos dias. Como já dizia o ditado: “tempo é dinheiro!”. E, se tempo é dinheiro, acredite: o tempo nunca será suficiente.
O cantor e compositor Lenine capta bem o valor e o uso do tempo. Em sua canção Paciência, ele declara:
“Enquanto o tempo acelera e pede pressa
Eu me recuso faço hora vou na valsa, a vida é tão rara
Será que é tempo que me falta pra perceber
Será que temos esse tempo pra perder
E quem quer saber
A vida é tão rara”.
Lenine está simplesmente mostrando a importância do tempo e como ele deve ser usado de forma correta. Não temos tempo para perder tempo, simplesmente porque a vida é rara.
Uma vez refletindo nisso, logo penso na famosa frase do C.S. Lewis onde diz que “o filho de Deus se tornou homem para que os homens se tornassem filhos de Deus”. O Deus trino e eterno, em sua perfeição e soberania, traça o plano da vinda de Jesus ao mundo entra no tempo e história como um homem. O eterno sujeito ao tempo: Deus-gente. Isso é de uma sutileza e ironia refinada para os nossos dias porque Deus abre mão de um dos bens mais valorizados no mundo: tempo! Tudo isso com um propósito bem claro: redimir a humanidade e possibilitar a comunhão com o Deus trino novamente.
O evangelho de João 1.10,11,14 narra que “aquele que é a Palavra estava no mundo, e o mundo foi feito por intermédio dele, mas o mundo não o reconheceu. Veio para o que era seu, mas os seus não o receberam. Aquele que é a Palavra tornou-se carne e viveu entre nós. Vimos a sua glória, glória como do Unigênito vindo do Pai, cheio de graça e de verdade”.
Jesus não poupou o seu tempo para que outros fossem impactados pela sua vida e obra. Seja um pescador cansado de trabalhar a noite toda, uma mulher buscando água, um cego nascença, um aleijado que desce pelo telhado, um religioso no meio da noite, noivos em seu casamento, pessoas aflitas no meio do caminho ou até mesmo aqueles que andavam perto dEle, Jesus investiu seu tempo aqui de forma rápida, profunda e impactante. Quando não empregamos tempo para refletir e celebrar o verdadeiro motivo do natal, é como se não reconhecêssemos o ato de amor de Deus, através da obra do seu filho em nosso favor.
E aí, como ter um Natal com um excelente tempo de qualidade? Duas respostas para dois tipos de leitores:
1 – Cristãos – Se você é cristão, comemore este tempo lembrando do seu real significado que é o nascimento do nosso Messias, o Emanuel, Deus conosco, o servo sofredor e humilde rei exaltado, o único capaz de transformar vidas, perdoar pecados, oferecer esperança e certeza de vida eterna. Celebre e compartilhe deste momento com muita alegria;
2 – Não Cristãos – Você pode ter a melhor ceia da sua vida este ano quando descobrir o real significado desta data. Basta receber o aniversariante e o convite parte dele mesmo: “Eis que estou à porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei e cearei com ele, e ele comigo”. Apocalipse 3.20. Uma vez que você conhece a vida, história e propósito do aniversariante e desfruta do presente que somente Ele pode oferecer, seu Natal nunca mais será o mesmo. Não deixe essa oportunidade passar, não perca tempo!
A todos, um feliz natal, desacelerado, sentado aos pés de Jesus, aprendendo com ele, admirados pela sua simplicidade e grandeza. Gratos pelo seu ato de amor em renunciar à eternidade e passar um tempo com a humanidade, mostrando que há um caminho bom, caminho de vida, paz e propósito: Ele é o caminho!
Paulo Alves
Sobre o autor: Paulo Alves é casado com Raíssa, com quem tem duas filhas, Laura e Sara. É Pastor da Igreja Batista Fonte e capelão do Colégio Batista Mineiro, ambos em Alphaville Lagoa dos Ingleses Nova Lima. Paulo é autor dos livros Jovem (Também) é Igreja (Editora CBM) e Nossa Jornada: 31 Dias de Movimento e Transformação. Mestre em Divindade (MDiv), com especialização em Estudos Bíblico-Hermenêuticos (ênfase no Novo Testamento), pelo Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper.

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