O livro de atos é considerado um dos mais ricos documentários já produzidos no primeiro século. Seu conteúdo tem sido usado como pesquisa em inúmeras universidades para desvendar as hierarquias romanas, pontos geográficos e fatos que confirmam a origem e a historicidade da Igreja. Atos não se resume apenas em fatos históricos relevantes, mas também em testemunhos confiáveis sobre como as pessoas continuavam sendo transformadas pela fé na pessoa do Senhor Jesus. Um pouco antes da ascensão do Filho de Deus aos céus, ele delega aos seus discípulos a grande responsabilidade de continuarem a sua missão: “E em seu nome se pregasse o arrependimento e a remissão dos pecados, em todas as nações, começando por Jerusalém. E destas coisas sois vós testemunhas. E eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai; ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder” (Lc 24.46-49).

É com este foco que o livro de Atos foi escrito pelo doutor Lucas. Ele apresenta uma Igreja revestida de poder, ousada, disposta a anunciar as grandezas de Deus desde Jerusalém, Judéia, Samaria até aos confins da terra. Este evangelho chegou aos Batistas Mineiros que também o anuncia. João Calvino sugeriu que o título deste livro deveria ser “Atos do Espírito Santo”, devido a riqueza das ações de Deus na vida das pessoas e de toda a Igreja. Um dos fatores mais evidentes descritos em todo o livro, creio ser o Fator Koinonia.O vocábulo koinonia aparece cerca de dezenove vezes em todo o NT, significando: “Comunhão”, “associação”, “fraternidade”, “partilha”, “relacionamento íntimo”. É um poderoso conceito de coletividade, o que nos leva a algumas respostas à pergunta o que temos comum na unidade? Na unidade temos em comum…

1. A mesma cidadania: Deus ao estabelecer a sua Igreja elegeu um povo vinculado aos céus, isto é, vivemos pela fé em uma dimensão acima da esfera terrena. “Mas nós, segundo a sua promessa, aguardamos novos céus e nova terra os quais habita a justiça” (2 Pe 3.13).  Não é diferente o pensamento do Apóstolo Paulo que declara qual deve ser a nossa inclinação: “Pensai nas coisas que são lá de cima, e não nas que são da terra” (Cl 3.2).Talvez a nossa frase principal deva ser: Andamos por aqui, mas o nosso coração está nas alturas.

2. A mesma promessa: A Bíblia nos diz que por intermédio de Jesus, todos nós recebemos grandíssimas e preciosas promessas (2 Pe 1.14). A vitória do Filho de Deus na cruz garante eficazmente a realização desta promessa que já foi estabelecida na eternidade. Cremos no perdão de nossos pecados, cremos em uma salvação que já desfrutamos nesta vida, cremos na vida após morte, cremos na volta de Jesus e na eternidade junto de Deus – (Fp 3.20).

3. O mesmo combate

Algumas vezes Paulo utilizou a palavra combate em suas epistolas porque via o cristão como um soldado que combatia contra os inimigos do reino, “combata o bom combate da fé” (1 Tm 6.12). Acima de tudo temos o ardente desejo como o de Paulo, ver os filhos de Deus lutar unânimes, “combatendo juntamente com o mesmo ânimo pela fé do evangelho” (Fp 1.27).Com certeza, um soldado sozinho no campo de batalha tem pouquíssimas chances de sobreviver. Diz um provérbio africano: “Você quer chegar rápido, vá sozinho. Mas, se quer ir longe, ande em grupo.”

4. A mesma herança

Uma esperança comum nos envolve como Israel aguardava a posse coletiva na terra de Canaã. A Igreja também aguarda a sua herança celestial (1 Pe 1.4) “Herança guardada nos céus para vocês que, mediante a fé, são protegidos pelo poder de deus até chegar a salvação prestes a ser revelada no último tempo”. Saiba que esta herança já nos é apresentada visivelmente na comunhão uns com os outros. As Igrejas locais, associações e a CBM nutrem esta unidade em reflexo ao corpo de Cristo, fortalecendo a vocação para herdar as riquezas da eterna glória.

Como filho de Deus, temos mais em comum em Cristo do que pensamos em nossas diferenças neste mundo: a mesma cidadania, a mesma promessa, o mesmo combate e a mesma herança. As circunstâncias e pressões deste mundo, jamais romperão o elo no coração daqueles que nasceram de novo e vivem para a glória de Cristo. Sejamos um!

Pr. Sandro Ferreira

Presidente da CBM e pastor da PIB Cel Fabriciano

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