As chuvas que atingiram cidades da Zona da Mata não deixaram apenas ruas alagadas. Deixaram móveis destruídos, lembranças perdidas, famílias desalojadas e um silêncio difícil de explicar depois que a água baixa. Para muitos, restou uma pergunta antiga que sempre reaparece diante do sofrimento coletivo: onde estava Deus em meio à tragédia?
A própria Bíblia reconhece esse clamor humano. Os salmistas não escondiam suas dúvidas nem sua dor. Ainda assim, afirmavam: “Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente nas tribulações” (Salmo 46.1). O texto não diz que Deus impede toda tempestade, mas que Ele se faz presente dentro delas.
E foi exatamente isso que vimos. Deus estava nas mãos enlameadas dos voluntários que ajudaram a limpar casas desconhecidas. Estava nos caminhões carregados de doações, nos profissionais que trabalharam além do cansaço e nas pessoas que, mesmo de longe, decidiram contribuir. Cada gesto de solidariedade tornou visível aquilo que o apóstolo Paulo ensina: “Levai as cargas uns dos outros” (Gálatas 6.2).
O escritor cristão C. S. Lewis afirmou que “Deus sussurra em nossos prazeres, fala em nossa consciência, mas grita em nossas dores”. Tragédias não são boas em si mesmas, mas revelam algo profundo: quando tudo parece ruir, a compaixão humana desperta com força surpreendente. Em meio ao caos, pessoas comuns se tornaram resposta para outras pessoas.
A fé cristã ensina que Deus frequentemente age por meios simples. Ele escolhe agir através de gente disponível. Por isso, talvez a pergunta correta não seja apenas onde Deus estava, mas se nós conseguimos reconhecê-lo nas atitudes que restauraram esperança em meio ao desespero.
Agora que as manchetes começam a desaparecer e as águas recuam, surge um novo risco: o esquecimento. A reconstrução, porém, ainda está só começando. Famílias continuam precisando de apoio, cidades precisarão de tempo e pessoas precisarão de presença.
Se Deus foi visto nas mãos que ajudaram durante a tragédia, Ele continuará sendo visto nas mãos que permanecem depois dela. A pergunta que fica já não é teológica, mas pessoal: onde nós estaremos agora?
Porque a fé verdadeira não termina quando a chuva passa. Ela começa quando decidimos reconstruir juntos. Continue atento e ajudando
Pr. Ismael Arêdes

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