Há um tipo de crítica que não tem a pretensão de dialogar, nem refutar ideias com honestidade, mas, ridicularizar.    

Foi o que aconteceu no último carnaval, quando uma escola de samba decidiu debochar dos evangélicos conservadores, retratando-os como se fossem “enlatados em conserva”. Com seu enredo, a intenção da referida escola foi transformar nossas convicções em caricatura, nossa fé em piada e nossos valores, em fantasia. No entanto, isso não pode nos abalar, pois a Palavra de Deus nos ensina como lidar com o escárnio. Em 1 Pedro 3:15,16 lemos: “Santifiquem a Cristo como Senhor no seu coração, estando sempre preparados para responder a todo aquele que pedir razão da esperança que vocês têm, mas façam isso com mansidão e temor, com boa consciência de modo que, fiquem envergonhados aqueles que difamam a boa conduta que vocês têm em Cristo” – 1 Pedro 3:15,16.

Esse texto nos oferece três diretrizes fundamentais e inegociáveis.

Em primeiro lugar, o apóstolo Pedro nos ordena a santificar a Cristo como Senhor em nossos corações. Precisamos reconhecer que Jesus é o centro e a maior autoridade de nossas vidas, e que ele governa nossas decisões, afetos, reações e valores. Isso coloca nossas convicções acima de rótulos. Ser conservador, não é estar “preso em uma lata” ou parado no tempo. É, antes, santificar a Cristo como Senhor de nossas vidas. É escolher a fidelidade em vez da moda e a convicção em vez da conveniência. Quando o coração está firmado no senhorio de Jesus, as verdades sobre a dignidade humana, a família e a santidade deixam de ser “regras enlatadas” e se tornam alicerces de vida. Essas convicções não podem ser descartadas como produtos velhos, pois pertencem ao Senhor que é o mesmo ontem, hoje e eternamente.

Em segundo lugar, a apóstolo nos ordena a estar preparados para dar a razão da nossa esperança. O conservadorismo evangélico não nasceu do vazio; ele está enraizado na história e provado na prática. Por isso, quando somos ridicularizados, não podemos nos calar por medo nem revidar por orgulho, mas deixar que nossa postura confirme nossa fé e se contraponha ao deboche. A esperança cristã é a certeza de que Cristo reina, sustenta os seus e cumprirá plenamente suas promessas. Por isso, mesmo quando são alvos de sarcasmo, os evangélicos permanecem íntegros, não negociam a verdade para serem aceitos, não alimentam brigas inúteis e continuam fazendo o bem, porque confiam que suas vidas estão seguras em Cristo e que o julgamento final está nas mãos do Senhor.

Que fique claro que nossa esperança não está na aprovação das pessoas, nem no status, nem em “vencer” debates, mas em Jesus, que, também, foi desprezado, mas, não revidou com insultos nem ameaças, confiando, plenamente, no Pai e permanecendo fiel até o fim. Com ele aprendemos a suportar a vergonha sem perder a alegria e transformar a zombaria em oportunidade de testemunho.

Quando a vida é coerente, o argumento se torna inabalável e o deboche nunca consegue apagar o testemunho.

Finalmente, o texto apresenta o tom que desarma o escárnio: mansidão e temor. Significa que, quando você é ridicularizado, não reage com raiva ou sarcasmo, mas fala e age com calma, domínio próprio e respeito, sem abrir mão da verdade.

O direito de criticar é legítimo em uma sociedade plural, mas o deboche é a arma dos que não possuem argumentos. A resposta cristã, portanto, não é devolver o escárnio. Não pagamos o mal com o mal, nem a piada com a agressão. A resposta mais forte é a mansidão com firmeza. Nosso desafio é   demonstrar, com atitudes, que nossos princípios não são uma pose cultural, mas um caminho de integridade. O deboche tenta nos calar pelo constrangimento, mas Deus nos chama a falar com coragem, sem ódio e sem vergonha. No fim, o que fica não é a piada da avenida. O que fica é o que sustenta a alma quando a festa termina e a dor chega. Nessas horas, o ser humano descobre que não precisa de sarcasmo; precisa de sentido, perdão e graça.

Por isso, afirmo sem sombra de dúvida: deboche não derruba convicções. Ele pode divertir uma multidão por alguns minutos, mas não destrói aquilo que foi construído com fé e firmado nas verdades da Palavra de Deus.Se querem discordar, que o façam com honestidade. Mas que não confundam riso com razão, nem caricatura com verdade.

Pr. Sebastião Arsênio

Pastor da Igreja Batista da Esplanada em Governador Valadares

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