Quando era menino, um dos meus passeios preferidos era ir para a roça com o Vô.

O velho era dureza, nos tratava, a mim e aos meus primos, muitas vezes com mais rigor do que os nossos pais, mas mesmo assim, éramos doidos com ele.

Uma consequência inevitável destes períodos longe da cidade era voltar com algumas companhias indesejáveis, carrapatos.

Pequeninos, quase invisíveis, causadores de coceira e com capacidade para se esconder nas partes mais recônditas do corpo.

Para completar, no meu caso, tinha a pele coberta de sardas que ofereciam uma camuflagem eficiente para os bichos.

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Elias havia proposto ao povo um desafio: “Se o Senhor é Deus, segui-o. Se Baal é Deus, segui-o.” (I Reis 18.21).

No monte Carmelo todos puderam presenciar a resposta Divina: apenas o Deus de Elias manifestou-se com fogo.

Por isso, naquele dia, apenas o Deus de Elias foi adorado pelo povo: “Só o Senhor é Deus! Só o Senhor é Deus!”

Os profetas de Baal foram destruídos. A longa estiagem, 3 anos e meio, acabou.

Era uma vitória esplêndida de Elias. Do ministério profético. Do Deus de Elias.

Mas Jezabel, rainha, esposa de Acabe, gestora e patrocinadora do culto ao deus Baal, manda um recado:

“Assim me façam os deuses, se amanhã, até a estas horas, eu não te matar!”

Elias se abate! Em vez de regozijo, medo. Em vez de festa, fuga. Em vez de animação, desânimo.

Muitos séculos mais tarde, quando o escritor da epístola aos Hebreus fala a respeito de “homens dos quais o mundo não era digno, forçados a andar pelos desertos e montes, pelas covas e cavernas da terra”, está se referindo a episódios como este.

Elias foge, em Berseba ele deixa o seu moço, talvez um discípulo ou servidor, vai ao deserto, caminho de um dia, e ora:

“Já basta, ó Senhor, toma agora a minha vida, pois não sou melhor que meus pais.”

Provavelmente cansado da caminhada, exausto pelos acontecimentos, após orar, Elias dorme.

Mas Deus tem outros planos e o profeta é acordado por um anjo e um cheiro de pão assado: “Levanta e come. Você tem uma longa jornada pela frente.”

Quarenta dias se passam. Elias está caminhando pelo deserto. Chega a Horebe, o monte de Deus. Sua oração ainda é de desespero:

“Tenho sido em extremo zeloso pelo Senhor, Deus dos Exércitos, porque os filhos de Israel deixaram o teu concerto, derribaram os teus altares e mataram os teus profetas à espada, e eu fiquei só, e buscam a minha vida.”

A resposta Divina não é de desânimo e sim de trabalho:

“Volta, Elias, atravessa todo o território de Israel e vai até Damasco ungir Hazael, rei da Síria e Jeú, rei de Israel.”

E o Senhor ainda acrescenta: “Também não é verdade, Elias, que você esteja só. Em Israel, ainda há sete mil que não se dobraram a Baal e nem o beijaram! E entre estes sete mil há um jovem chamado Eliseu que deverá ser ungido profeta em seu lugar.”

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Chegamos a Eliseu. Ainda não às sardas e ao carrapato. Não desanime.

Na próxima semana haveremos de chegar. Ou seria na outra?

Semana de bênçãos, sob Graça e Paz!

Pr. Aílton Sudário

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