A família não é um acidente histórico nem uma convenção social. Ela é um projeto divino. Antes de existir a igreja, o Estado ou qualquer outra instituição, Deus criou a família, cujo fundamento está em Gênesis 2:18: “Não é bom que o homem esteja só; farei para ele uma auxiliadora que seja semelhante a ele”. Aqui, o Criador estabelece o projeto original da família e revela os princípios sobre os quais ela deve ser construída.

À luz deste texto, destaco 5 princípios indispensáveis na construção da família, segundo Deus.

Em primeiro lugar, a família segundo Deus é um projeto de companheirismo. Quando o Senhor disse “Não é bom que o homem esteja só”, ele revelou algo profundo: fomos criados para a comunhão. Mesmo em um ambiente perfeito e em plena comunhão com Deus, o homem precisava de companhia. A solidão não faz parte do projeto original.  Uma família à maneira de Deus cultiva o companheirismo como prioridade.

Em segundo lugar, a família segundo Deus é uma aliança exclusiva. A criação de uma única mulher para um único homem estabelece o fundamento da exclusividade. Se o plano divino não fosse a monogamia Deus criaria mais de uma Eva para Adão ou mais de um Adão para Eva. Ao criar uma mulher para um homem ele deixa claro que a exclusividade não é uma questão cultural. Está gravada no relato da criação. O projeto original aponta para a fidelidade como alicerce do lar.

Em terceiro lugar, a família segundo Deus é formada a partir da união de um homem e uma mulher. Deus não criou outro homem para ser companheiro de Adão.  Havendo uma quantidade infinita de possibilidades diante do Criador, ele deliberadamente escolheu formar uma mulher. Não um segundo homem, não um ser andrógino, mas alguém que trazia em si a diferença necessária para a completude.

Essa escolha não foi arbitrária. A diferença entre os dois não era um acidente de percurso. Era projeto deliberado. O masculino e o feminino foram desenhados para se complementarem. A heterossexualidade, portanto, não é uma invenção cultural ou um acidente histórico. Ela está presente na narrativa da criação. Antes de existir qualquer lei, tradição ou convenção social, existia um jardim, um homem e uma mulher. Esse foi o projeto de Deus.

Em quarto lugar, a família segundo Deus é uma parceria de ajuda mútua. Deus disse: “Farei para ele uma auxiliadora”. A palavra “auxiliadora” vem do hebraico Ezer, o mesmo termo usado no Antigo Testamento para descrever Deus como socorro do homem (Salmo 121). Ser auxiliador não é ocupar um lugar inferior, mas trazer a força que o outro não tem. Uma família à maneira de Deus é o lugar onde a fraqueza de um é suprida pela força do outro, um porto seguro onde a vulnerabilidade é acolhida e não criticada.

Finalmente, a família segundo Deus é um laço de correspondência. Quando o texto diz “que seja semelhante a ele”, o sentido original é: “que esteja como diante dele”. Alguém que esteja à frente como a imagem de um espelho. A imagem no espelho corresponde ao original, mas não é igual. O sentido aqui é o de correspondência, como está na versão NVI: “farei para ele alguém que o auxilie e lhe corresponda”. A mulher é o “espelho” do homem, estando frente a frente com ele em um relacionamento de mesmo nível intelectual, emocional e espiritual. Corresponder significa que ela responde ao homem na mesma frequência, garantindo que as diferenças entre eles não sejam fontes de conflito, mas de completude.

Ao olharmos para o Éden, percebemos que a família não foi criada para ser um fardo, mas para ser a expressão da vida e da glória de Deus na terra. Construir uma família à maneira de Deus não é seguir uma tradição religiosa, mas alinhar o coração ao design do Arquiteto que nos conhece profundamente. Compreendemos, assim, que o lar deve ser o reduto do companheirismo, da fidelidade, da complementaridade, da força mútua e da correspondência.

Viver este projeto, contudo, exige atitudes concretas: tirar tempo para olhar frente a frente para quem se ama, renovando o compromisso de ensinar aos filhos a diferença entre o masculino e o feminino e como ambos podem ser bênção nas mãos de Deus; identificar diariamente as cargas que o cônjuge ou familiar carrega sozinho e oferecer socorro, lembrando que ser auxiliador é refletir o próprio caráter de Deus; e, por fim, parar de tentar moldar o outro à própria imagem, passando a apreciar a imagem no espelho que Deus criou para completar cada um.

Que cada família seja um testemunho vivo de que o projeto original de Deus ainda é o melhor caminho para uma vida plena.

Sebastião Arsenio

Pastor da Igreja Batista da Esplanada em Governador Valadares

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