A igreja está inserida em um território marcado por diferentes necessidades e desafios. Reconhecer essa realidade e responder a ela com cuidado, justiça e esperança foi o propósito do Encontro de Ação Social, realizado na tarde de 31 de julho, durante o Congresso Batista Mineiro e a 88ª Assembleia da Convenção Batista Mineira (CBM), em Juiz de Fora. Com o tema “Erga a voz: a igreja como instrumento de cuidado, justiça e esperança”, a programação reuniu pastores, líderes e representantes de igrejas para compartilhar experiências e refletir sobre o papel da igreja diante das vulnerabilidades presentes em suas comunidades.

À frente da programação esteve a missionária Doroti Campos, gerente de Ação Social da CBM. Para ela, a atuação social da igreja precisa partir do conhecimento da realidade em que está inserida. “A igreja pode atuar como um instrumento de cuidado, justiça e esperança. Isso não são palavras soltas. Cuidado implica acolher, justiça implica restaurar e esperança implica transformação”, afirmou.

Segundo Doroti, conhecer o território é uma etapa fundamental para que a igreja desenvolva ações capazes de responder às necessidades reais da população. “A igreja precisa conhecer o território, o local, a cidade, o bairro onde ela está inserida, entender os problemas sociais que existem nesse território para que ela possa atuar de forma eficaz”, explicou.

A proposta de aproximar a ação social da realidade de cada comunidade também foi destacada pelo pastor Fabrício Freitas, diretor-executivo da Junta de Missões Nacionais e representante da Rede de Assistência e Desenvolvimento Social (RADS), da Convenção Batista Brasileira. Durante o encontro, ele ressaltou as iniciativas já desenvolvidas pelos Batistas Mineiros e encorajou as igrejas a perceberem o potencial missionário presente em suas próprias comunidades.

“Queremos, em primeiro lugar, parabenizar tantas expressões de amor, de compaixão e graça que a Convenção Batista Mineira tem feito, que as igrejas de Minas Gerais têm feito”, afirmou. Fabrício também destacou que cada igreja pode ser instrumento de Deus para tornar o evangelho conhecido por meio da compaixão e do serviço. “Você é um instrumento para, através da compaixão e graça, tornar o Reino, o evangelho de Jesus conhecido na sua cidade”, declarou.

A reflexão sobre o cuidado integral também esteve presente na fala do pastor Rubens Leandro, da Igreja Batista Nova Aliança em Juiz de Fora e presidente da Associação Nova Aliança em Juiz de Fora. Para ele, o envolvimento da igreja com a ação social está diretamente relacionado ao exemplo de Jesus, que atendia as pessoas em suas diferentes necessidades.

“Nós precisamos entender que Jesus veio ao mundo, ele atendeu as pessoas em todas as suas necessidades. E nós, como cristãos, precisamos entender isso”, afirmou. A partir do exemplo de Cristo, o pastor defendeu que as igrejas sejam semelhantes a Jesus no modo de acolher e servir as pessoas.

A programação também proporcionou espaço para a troca de experiências entre os participantes. Para Márcia Regina dos Santos de Oliveira, da Primeira Igreja Batista de Juiz de Fora, o encontro reforçou a importância de a igreja estar presente e organizada para servir à comunidade.

“Foi muito importante para todos nós que participamos, no sentido de levar à igreja a importância de sermos presentes e fiéis aonde quer que estejamos”, relatou. Ela destacou ainda o aprendizado proporcionado pelo encontro e a oportunidade de conhecer experiências desenvolvidas por outros participantes.

O pastor Jairo Ladeira, da Primeira Igreja Batista em Cataguases, também destacou o caráter desafiador da programação. Para ele, o encontro ampliou a percepção sobre a responsabilidade missionária da igreja diante da realidade social.

“Participamos agora de um momento muito especial, uma oficina de ação social aqui na 88ª Assembleia da Convenção Batista Mineira, onde nós pudemos ouvir vários testemunhos impactantes sobre missões e a necessidade de fazermos missões onde estamos”, relatou.

Segundo o pastor, a experiência também contribuiu para fortalecer iniciativas já desenvolvidas pela igreja em Cataguases. “Fomos impactados e desafiados a continuar contribuindo e também fazendo missões onde estamos, através de projetos sociais e várias outras coisas que temos como igreja também oferecido ali na nossa cidade”, afirmou.

A programação deixou aos participantes o desafio de olhar para além dos muros do templo e reconhecer os espaços onde Deus colocou cada igreja como campos de serviço e testemunho. Cuidado, justiça, restauração e transformação, como destacou Doroti Campos, tornam-se, assim, expressões práticas de uma igreja que conhece seu território e se dispõe a responder às necessidades das pessoas com fé, cuidado que acolhe, justiça que restaura  e esperança que transforma.

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