Segundo uma máxima frequentemente atribuída ao escritor norte-americano Mark Twain, “os dois dias mais importantes da sua vida são o dia em que você nasce e o dia em que descobre o porquê”. A sentença, tão simples quanto profunda, tem atravessado gerações porque toca em uma inquietação universal: a busca por um sentido que justifique nossa existência.
O nascimento inaugura todas as possibilidades. É o início da história de cada indivíduo. Mas não basta existir — é preciso saber por que existimos. É aí que o segundo “dia mais importante” ganha força: o momento em que a vida deixa de ser conduzida apenas pelos ventos e passa a ser orientada por um propósito.
Poucos interpretaram essa busca de forma tão impactante quanto o psiquiatra austríaco Viktor Frankl. Sobrevivente de campos de concentração durante a Segunda Guerra Mundial, Frankl testemunhou situações extremas e concluiu algo extraordinário: mesmo em condições de profundo sofrimento, o ser humano é capaz de encontrar sentido — e esse sentido se torna sua força de sobrevivência.
Para Frankl, não é o conforto que sustenta a vida, mas o significado, ou o sentido. Foi essa convicção que mais tarde se tornaria o eixo da Logoterapia, abordagem psicológica que ele desenvolveu e que parte da premissa de que a maior motivação humana não é o prazer nem o poder, mas o propósito.
Descobrir o propósito não significa, obrigatoriamente, abraçar uma missão grandiosa, mas identificar aquilo que faz a existência valer a pena. Pode ser a vocação profissional, uma causa social, a fé, o amor à família ou o compromisso com o bem comum.
A experiência de Frankl reforça a ideia de Twain: há um “segundo nascimento” quando descobrimos por que estamos aqui. Mas, enquanto Frankl mostrou que é possível sobreviver quando se tem um “para quê”, a fé cristã acrescenta que existe também um “para quem”: para quem vivemos, trabalhamos, amamos, servimos. Essa dimensão relacional — com Deus e com o próximo — dá ao propósito um fundamento que vai além das circunstâncias e até mesmo da vida terrena.
Para nós, cristãos, o propósito não é apenas descoberto, mas recebido. E essa compreensão encontra seu ponto central na pessoa de Jesus Cristo, que se apresenta como “o caminho, a verdade e a vida” (João 14:6).
Nessa perspectiva, a vida encontra sentido não apenas quando entendemos nossa missão, mas quando reconhecemos que somos parte de uma história maior, conduzida por alguém maior.
Assim, o desafio que permanece é duplo: descobrir o propósito da própria existência e, ao mesmo tempo, reconhecer que a fonte última desse propósito pode estar na espiritualidade, na fé e na experiência de encontrar em Cristo uma direção segura.
Hélio Alves de Oliveira
Pastor da Primeira Igreja Batista de Governador Valadares e presidente da Junta de Educação do Colégio Batista.

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