Há uma certa tirania da felicidade em nossos dias que praticamente coloca diante de nós a proibição do sofrimento. Nenhum tipo de sofrimento é bem-visto em nosso tempo. Não sei você, mas eu sou contra a tirania à felicidade, principalmente olhando para os inúmeros exemplos nas Escrituras, principalmente o de Cristo que, sofreu por nós.
Tim Kelle diz em seu livro “A Fé na Era do Ceticismo” que Jesus conheceu em primeira mão o desespero, a rejeição, a solidão, a pobreza, a perda, a tortura e a prisão. Na cruz, seu sofrimento foi maior que o pior sofrimento humano, e ele vivenciou a rejeição cósmica e uma dor que supera a nossa de forma tão absoluta quanto seu conhecimento e poder extrapolam os nossos. Na morte de Jesus, Deus sofre por amor, identificando-se com os abandonados e excluídos. Por que ele fez isso? A Bíblia diz que Jesus veio ao mundo em uma missão de resgate da criação. Teve de pagar por nossos pecados para um dia eliminar o mal e o sofrimento sem precisar nos eliminar”.
Pense nisso: Cristo foi abandonado para você e eu fossemos acolhidos. Quanto sofrimento na cruz por nós! Se Ele voluntaria e graciosamente fez isso por nós, o que mais não poderia fazer?! Nessa perspectiva, nossos sofrimentos são leves e momentâneos. Acredito no poder didático de todos os momentos que passamos ao longo da vida e tanto sofrimento quanto o lamento são parte da vida do cristão, o que me faz pensar que não podemos desprezar isso.
Pode ser que você esteja passando por algum momento difícil, mas quero te motivar a olhar para Deus, fortalecer-se nas Escrituras, buscar consolo no Senhor. Como diz o poeta: “Onde estiver, seja lá como for, tenha fé, porque até no lixão nasce flor”.
É difícil passar pelo sofrimento e diferenciar o lamento da murmuração, mas precisamos aprender a sofrer em santidade. Precisamos recuperar a teologia do lamento em nossas vidas. Lamento que nos leva a esperança no Senhor e certeza do Seu cuidado.
Entregue tudo nas mãos dele, deixe que o Senhor enxugue suas lágrimas, cuide das suas feridas. É Ele quem “nos consola em toda a nossa tribulação, para que também possamos consolar os que estiverem em alguma tribulação,”. (2 Co 1:3-4).
Eis o convite para os que sofrem: coloque a perspectiva do sofrimento diante da cruz de Cristo, alimente o seu coração de esperança na glória eterna. O nosso sofrimento não se reduz ao tempo que vivemos agora, por isso devemos manter a nossa perspectiva na eternidade, olhando para aquele que sofreu por nós, louvando o seu nome e dividindo os fardos dos momentos difíceis com os nossos irmãos.
Paulo Alves
Sobre o autor: Paulo Alves é casado com Raíssa, com quem tem duas filhas, Laura e Sara. É Pastor da Igreja Batista Fonte e capelão do Colégio Batista Mineiro, ambos em Alphaville Lagoa dos Ingleses Nova Lima. Paulo é autor dos livros Jovem (Também) é Igreja (Editora CBM) e Nossa Jornada: 31 Dias de Movimento e Transformação. Mestre em Divindade (MDiv), com especialização em Estudos Bíblico-Hermenêuticos (ênfase no Novo Testamento), pelo Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper.

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