Rute 4.10: “10 Também estou adquirindo o direito de ter como mulher a moabita Rute, viúva de Malom, para manter o nome do falecido sobre a sua herança e para que o seu nome não desapareça do meio da sua família ou dos registros da cidade. Vocês hoje são testemunhas disso!”
Vivemos em uma época fascinada por nomes. Queremos ser reconhecidos, lembrados, seguidos e admirados. Construímos currículos, marcas, ministérios e plataformas. Em uma cultura que nos ensina a perguntar “como posso tornar meu nome conhecido?”, a história de Boaz nos apresenta uma pergunta muito mais importante: por qual nome você está disposto a viver?
A história de Rute começa em meio à dor. Noemi perde o marido e os dois filhos e retorna para Belém acompanhada de Rute, sua nora moabita. Elas chegam sem recursos e sem perspectivas. Mas, em meio à aparente desordem, Deus já estava conduzindo a história. Rute encontra o campo de Boaz, um homem piedoso que se torna instrumento da providência divina.
Em Rute 4, Boaz assume publicamente o papel de resgatador. Ele compra a propriedade de Elimeleque e recebe Rute como esposa. Mas suas palavras revelam algo extraordinário: ele faz isso “para manter o nome do falecido sobre a sua herança e para que o seu nome não desapareça”.
Boaz não está tentando construir o próprio nome. Ele está disposto a usar seus recursos, sua posição e seu futuro para preservar o nome de outro.
O contraste com o primeiro resgatador é significativo. Quando percebe que assumir Rute como esposa poderia comprometer sua própria herança, ele desiste do direito de resgate. Boaz, porém, aceita o custo. Está disposto a assumir uma responsabilidade que poderia representar sacrifício pessoal para preservar a linhagem e a herança de Elimeleque. E existe uma ironia significativa no texto: o primeiro resgatador não tem seu nome registrado. O narrador simplesmente o identifica como “Fulano”, ou “Tal pessoa”. Boaz, por outro lado, aquele que não estava buscando construir sua própria grandeza, entra para a história da redenção e se torna ancestral do rei Davi e, séculos depois, aparece na genealogia de Jesus Cristo.
Boaz não poderia imaginar o que Deus faria através de sua obediência. Ele apenas deu o próximo passo de fidelidade. Mas Deus estava escrevendo uma história que alcançaria gerações. Daquela união nasceu Obede; depois, Jessé; depois, Davi. E, na plenitude dos tempos, nasceu Jesus, o verdadeiro Redentor.
Boaz nos ensina que não precisamos viver obcecados com a construção do nosso nome. Deus não nos chama para sermos famosos; chama-nos para sermos fiéis. Não sabemos quantas vidas serão alcançadas por uma decisão de obediência, uma palavra, uma oferta, um serviço silencioso ou uma renúncia que ninguém percebeu.
O evangelho nos conduz ainda mais longe. Boaz estava disposto a sacrificar seus interesses para preservar o nome de outro. Cristo entregou a si mesmo para nos resgatar. Ele “esvaziou-se a si mesmo”, humilhou-se e foi obediente até a morte de cruz. E, por isso, Deus o exaltou e lhe deu “o nome que está acima de todo nome” (Fp 2.5-11).
Essa é a lógica do Reino: quem vive para a própria glória termina pequeno; quem vive para a glória de Deus participa de algo infinitamente maior que sua própria história.
Talvez ninguém se lembre do seu nome daqui a algumas gerações. Talvez muitas coisas que você faz hoje jamais recebam aplausos. Não importa. Nossa esperança não está em sermos lembrados pelos homens, mas em pertencermos àquele cujo nome jamais será esquecido.
Portanto, não viva para construir um nome. Viva para tornar conhecido o nome de Cristo.
No fim, essa será a pergunta que realmente importa: não se o mundo conheceu o nosso nome, mas se, através da nossa vida, o nome de Jesus foi conhecido.
Viva por um nome maior que o seu.
Pr. Ismael Arêdes – casado com Eilan Rodrigues de Oliveira Arêdes, pai do Estevão. Bacharel em Teologia pela Faculdade Teológica Batista de São Paulo. Pós-graduado em Filosofia. Pós-graduado em Gestão Estratégica de pessoas. Graduando em psicologia. É pastor na Igreja Batista Central no Palmeiras/Bh e Primeiro Secretário da Convenção Batista Mineira.

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